Alfa-1

O que é

A Deficiência de Alfa-1 Antitripsina (A1AT) é uma doença genética, rara e hereditária, que afeta principalmente os pulmões e o fígado. Ela ocorre quando o organismo produz quantidade insuficiente ou uma forma estruturalmente alterada da proteína alfa-1 antitripsina, produzida no fígado, cuja função é proteger os pulmões contra a ação de enzimas inflamatórias, especialmente a elastase neutrofílica.

Nos pulmões, a falta dessa proteção pode levar ao desenvolvimento precoce e progressivo de enfisema e da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), inclusive em pessoas que nunca fumaram. O tabagismo acelera significativamente a perda de função pulmonar nesses pacientes.

No fígado, a proteína pode ser produzida de forma anormal (mal dobrada), acumulando-se dentro das células hepáticas e causando lesão progressiva, que pode evoluir para hepatite crônica, cirrose e, mais raramente, carcinoma hepatocelular. A doença é causada por mutações no gene SERPINA1.

Além do comprometimento pulmonar e hepático, a deficiência de A1AT pode, em casos menos frequentes, causar alterações dermatológicas, como paniculite (inflamação do tecido gorduroso sob a pele), que se manifesta por nódulos dolorosos e avermelhados. No entanto, essas manifestações cutâneas são raras.


Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue que mede os níveis séricos de alfa-1 antitripsina. Quando os níveis estão baixos, são indicados testes complementares, como fenotipagem ou teste genético, para confirmar a mutação responsável.

Apesar de ser uma condição genética, ainda é considerada subdiagnosticada, pois seus sintomas podem ser confundidos com asma ou DPOC relacionada ao tabagismo.

Recomenda-se investigar A1AT em pacientes com DPOC de início precoce (antes dos 45 anos), enfisema em não fumantes, história familiar da doença ou doença hepática sem causa definida.

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e iniciar o acompanhamento adequado.


Tratamento

Embora a deficiência de A1AT não tenha cura, existem formas de controlar a doença e reduzir sua progressão.

Nos casos com comprometimento pulmonar, pode ser indicada a terapia de reposição intravenosa de alfa-1 antitripsina, que ajuda a retardar a progressão do enfisema em pacientes selecionados com deficiência grave. Também podem ser utilizados broncodilatadores inaláveis, corticosteroides inalados quando indicados, reabilitação pulmonar e vacinação contra gripe, pneumonia e COVID-19.

A cessação completa do tabagismo é a medida isolada mais importante para modificar a evolução da doença pulmonar.

Quando há comprometimento hepático, o acompanhamento com especialista é essencial. Em casos graves, pode ser necessário transplante de fígado, que corrige a deficiência hepática e normaliza os níveis da proteína circulante.


Como viver melhor

Algumas medidas são fundamentais para preservar a saúde e melhorar a qualidade de vida:

  • Não fumar e evitar exposição à fumaça, poeiras e poluentes;
  • Manter vacinação em dia;
  • Praticar atividade física com orientação médica;
  • Manter acompanhamento regular com equipe especializada;
  • Realizar exames periódicos para monitorar pulmões e fígado;
  • Orientar e, quando indicado, testar familiares de primeiro grau, devido ao caráter hereditário da doença.

Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento contínuo, é possível viver com mais qualidade e reduzir o risco de complicações.

Revisão científica: Dr. Fábio Arimura | CRM-SP 139582 | RQE 74445

Perguntas Frequentes

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